30/04/2015
Porque seu site é ruim.
A história é sempre a mesma: uma empresa que deseja revolucionar a maneira com que se comunica pela internet, compreende a importância de estar bem posicionado no mercado digital, mas não quer gastar mais do que cinco mil reais com isso.

Basta dar uma navegada no Google em busca de bancas de jornais para que você perceba um padrão: elas costumam valer entre 200 mil a 1 milhão de reais e a sua função por lucro líquido não costuma exceder 1.5% do valor do investimento. Ou seja: uma banca de 200 mil reais acaba lhe remunerando, ao mês, algo em torno de 3 mil na mão. Isso caso você não tenha que pagar por segurança, um funcionário, ou fique doente de vez em quando e não posso abri-la. O fato é que muita gente está disposta a manter um desses negócios, ainda que haja tanta dificuldade envolvendo o processo.

Poderíamos usar aqui outro exemplo; poderíamos falar sobre restaurantes, estacionamentos, lojas de material de construção e até mesmo imóveis. Ninguém aqui espera conseguir um retorno muito maior do que 2.5% ao mês, mesmo que isso implique trabalhar todos os dias — nos feriados, inclusive. Não há almoço grátis, lembra? A realidade é dura e você precisa por o seu dinheiro para trabalhar para você. Bom, no mercado digital isso muda muito.

Imagine que você está pensando em substituir o seu ponto de vendas físico por algo digital. Está afim de acabar de vez com essa necessidade de trabalhar em um shopping, com uma série de funcionários; está cansado de ir ao ministério do trabalho todo mês e estar sempre administrando esse fluxo rotativo de funcionáris. Pra você chega! Decidiu-se, enfim, por passar o seu negócio para o digital e existem várias razões para isso.

Depois de muita conversa com a sua esposa e de muita conta feita, alguns vídeos e palestras assistidos, você consolidou essa decisão na sua cabeça. Irá fazer! Será mais um desses tantos empreendedores digitais. As vantagens? Redução de custo, diminuição do fator de aquisição e manutenção do cliente, chega daquelas reservas de caixa obrigatórias para natal e final de ano…chega disso tudo! Agora é você esse site incrível que será montado para a sua empresa.

E lá vamos nós…

Primeiro passo: não há nada que eu não possa fazer!
Você passou dois meses observando os sites mais bacanas que você conhecia. Entrou em alguns fóruns ou grupos de design e leu alguns artigos aqui pelo medium em que alguns diretores de arte ou especialistas em UX comentavam sobre o quão prazero ao cliente é a experiência de uso de um bom site. Pensou: “O meu será assim ou ainda melhor!”. Juntou em uma pasta alguns exemplos, desenhou algumas ideias da própria cabeça e levou até um amigo “que faz sites” tudo isso.

“Ah, isso é moleza! Vamos lá!” — ele diz. Prometeu te passar um esbouço do que seria o resultado final, tudo isso na faixa, porque é seu amigo. A ideia lhe pareceu muito boa e você voltou para casa muito feliz. Alguns dias depois, naquela terça-feira que estava marcada a reunião, você voltou lá e tomou o maior balde d’água da sua vida. O site ficou com cara de template pronto. As imagens copiadas do Google sequer estavam em alta definição. Aquele modelinho de loja pronta em nada parecia com o que você havia dado como exemplo. Surpreso? Bastante. Você agradece ao amigo e diz que vai pensar e nem faz questão de dar um retorno, afinal de contas, ele é apenas um amigo “que faz sites”, não é mesmo?

Com o tempo você percebe que abaixo de cada um daqueles sites maravilhosos há um logo e que essa pequena figura costuma de ser de quem foi o responsável pela confecção do produto. Clica. Cai em uma agência. Percebe como o próprio ambiente virutal deles é bem feito e cheio de equilíbrio. Marca com o que mais gosta e leva as suas anotações. Agora, tudo parece bem mais promissor!

“Trinta mil reais por um site?! Você está maluco?!” — é isso que sai da sua garganta, após o primeiro orçamento. Seus ouvidos se fecham para qualquer explicação ou justificativa. Aquele garoto de tatuagens engraçadas só pode estar brincando. Trinta mil por um simples web-site? O seu amigo iria cobrar dois, três, no máximo e capaz de aceitar alguns produtos como permuta!

O sujeito tenta lhe explicar que um bom trabalho custa caro, que envolve uma série de bons profissionais, mas você não escuta. Bloqueia. Ele deve estar mentindo e vai tudo para agência dele. Vai direto para o bolso do patrão dele e que é por isso que o mundo é uma merda. A publicidade te enrola na cara dura e ninguém faz nada em relação a isso.

Mas, você já está decidido. Não irá cair de trouxa nessa história toda.

E lá vamos nós…

Tem início ao projeto Frankenstein!

Depois de três ou quatro visitas a agências diferentes, você ouve daquele sobrinho que assim só irão roubar o seu dinheiro. Que você tem que contratar um freela. “É muito mais barato! Agência só te rouba dinheiro!” — ele diz. Você acredita, afinal de contas, ele entende tudo de computador. Administra até uma comunidade que está bombando no Facebook.

Tem-se início à procura do freela perfeito. Ele deve possuir um portfólio bacana, cheio de coisas bonitas, mas não pode cobrar muito. Nada desse negócio de cinquenta por cento adiantado. Tem que trabalhar rápido e nem pense em exigir um centavo a mais do que foi acordado. Comprar fotos? Talvez, mas desde que não custe muito. Vídeos? Estúdio? Nem pensar! Se ele é bom mesmo vai ter que se virar e dar os pulos dele! Não é para isso que está sendo pago?

Você consegue encontrar aquele sujeito bacana. Meio artista, meio desesperado; do tipo perfeito! Ele queria cobrar cinco mil reais, mas você chorou, disse que estava em um processo delicado, mudando tudo na empresa, que não poderia arcar tudo isso só com um website — que agora passa a ser apenas um detalhe, não mais o coração de todo o seu negócio. “Coisa séria mesmo é estoque, é compra, é desconto, é promoção!” — diziam os seus amigos, que também tinham páginas de dois mil e quinhentos reais. “Olha só, de tudo que eu vendo é uma pequena parcela que sai da internet. Sabia?” — defende outro, que levantou a sua página em um site de leilões, por mil reais. Um negócio da China! Você acredita?

E lá vamos nós…

Quando o menos é “tão mais” que não sobra quase nada.

Quatro dias de locação em um estúdio para fotografar os produtos? Está maluco! Nada disso. Você se lembra que possui ainda uma foto de cada um no estoque, que havia pedido para a sua esposa tirar. Como a qualidade é pequena, você opta pelo óbvio: diminuir o tamanho das imagens na exibição. Quem optaria por tirar tudo de novo e gastar uma nota? Só esses malucos do design!

Não precisa comprar também aquelas fotos de US 10.00 cada. Pode pegar no Google imagens, que lá tem muita coisa boa. Ou no instagram, mesmo. Você se sente cansado porque tem que dar soluções tão óbvias a um sujeito que deveria saber disso tudo. Quem já se viu comprar imagens? Até você sabia que tinha o Google imagens para que você pegasse-as de graça!

Ele deu a ideia de construir um ambiente próprio para negociação. Disse que os dados ficariam melhor armazenados. Que só os recebimentos poderiam ser tercerizados para não criar um ambiente muito valioso para Hackers. Que um bom sistema poderia lhe economizar percentual de venda mês a mês, lhe dizer exatamente tudo que precisasse saber sobre o perfil dos seus clientes e que isso se pagaria em menos de dois anos. “Mais doze mil?!” — e isso porque ele havia dito que faria um preço especialíssimo. Loucura! Terceriza tudo isso.

Deu a ideia também de um serviço de auto-responder, captura de e-mails, disparos automáticos de ofertas….blá blá blá. Tudo dinheiro jogado fora. Nada disso interessa. Você mesmo pede para o seu sobrinho criar os e-mails de oferta, que serão preenchidos na hora da compra pelo cliente. Você se sente realmente espantado como esse pessoal da internet gosta de gastar dinheiro.

Depois de um tempo o garoto volta com algumas ideias esquisitas. Ele queria fazer uma landing page para cada produto, o apresentando passo a passo, contando a sua história e lhe dizendo as qualidades somadas a fotos de altíssima qualidade. Negativo. Pra que? A Net-shoes não usa isso, pra que você usaria? Você toma uma atitude forte, de personalidade e diz:

“Meu filho, o facebook foi criado com 15 mil dólares. O que é que você precisa fazer para criar uma simples página para que eu venda os meus sapatos?”.

Pronto. Agora sim. Havia mostrado a ele que não era um bobo que iria dar dinheiro a torto e a direito a qualquer moleque se pagasse de entendido digital. Mostrou quem você era e o relacionamento já não estava mais tão bom.

Os dias que sucederam o bate-boca foram silenciosos e, de vez em quando, por e-mail, as demandas eram entregues. Está certo que, as vezes, você atrasava os seus prazos, mas é porque você era alguém realmente ocupado, fazendo coisa séria, trabalhando de verdade e não mexendo com esse negócio de internet. Mas, assim que você enviava os seus prazos, queria tudo para ontem. Afinal de contas, tempo é dinheiro!

Ficou acordado para amanhã a entrega do layout para aprovação. Será um grande dia!

E lá vamos nós…

É nisso que você trabalhou esse tempo todo? Está uma MERDA!

Sim, está uma merda! Está bem pior do que o site de todos os seus amigos. O site tem espaço em branco demais, letras cinzas, poucos banners, pouca cor, não tem nada a ver com o que você estava esperando. E a logo? É uma merda. “Pode deixar ela maior, diminuir a fonte, coloca algo mais bonito, tipo dourado. Por que esse verde? Coloca esse daqui ó, dessa foto que eu peguei. Pode colocar ela do canto esquerdo, também. E coloca umas propagandas do lado para gente ganhar dinheiro com Google-ads. Meu sobrinho que me deu essa dica. Ele está levantando duzentos dólares todo mês!”.

Briga de um lado, briga do outro, ele tenta explicar o porquê de ter feito cada uma daquelas escolhas, mas e dai? Você quem está pagando. É a sua empresa e os seus clientes que estão em risco! Todos os seus amigos acharam aquele site uma bosta. Muito branco, muito elitista, pouco funcional. O que você gostaria mesmo era de ter todos os seus sapatos de uma vez só exibidos em um rotativo lá em cima, que só percebeu faltando cinco dias da entrega do prazo, mas que não daria tanto trabalho assim para ser feito, não é? Afinal de contas, é só tirar tudo que tem ali em cima e por um rotativo que nem esse que você se deu ao trabalho de pegar uma URL de exemplo e passar para o rapaz, por e-mail. Você ainda facilitou a vida dele!

Hoje você já acordou com a cabeça quase estourando. “O menino disse em re-trabalho! Que já havia aprovado o layout e que isso iria custar CENTO E CINQUENTA REAIS para ser feito! Acredita?” — você quase explode com a sua esposa. Ela, diz a verdade: “Você deveria ter feito esse site com o seu sobrinho”. Pois é…ela sempre acerta. Mas, agora, fazer o que?

“Eu vou fechar esse trabalho de qualquer jeito porque já está pago a metade. Se ele não terminar eu não pago o resto. Está uma merda desde o começo. Depois eu chamo o Júnior para ajeitar isso que esse babaca fez. Tudo errado!”- finalmente você está chegando ao final de todo esse processo doloroso.

O site é entregue. É pedido que você assine um contrato de hospedagem e abra uma conta em algum serviço de disparo de e-mails. É importante, também, uma conta no Google Analytics para…

“Pera lá! Pera lá! Já te paguei por tudo isso, você está me enrolando há um mês e meio e ainda eu tenho que PAGAR POR SERVIDOR?! EU TENHO QUE HOSPEDAR SITE? Olhe, meu amigo, eu acho melhor pararmos por aqui…eu não vou pagar os seus outros 50% porque eu vou ter que gastar tudo de novo pro meu sobrinho refazer essa grande merda que você fez. E quer saber? Me processe, que eu vou fazer você perder as calças, seu safado!”.

Briga de um lado, briga do outro, você finalmente mostrou aquele salafrário quem é que manda. Ele te entregou o site do jeito que estava, você também fez pouco caso, porque quase nada pode ser aproveitado naquilo ali, mesmo. Bom mesmo será com o Júnior, que fará tudo rapidinho e bem barato.

E lá vamos nós….

O meu grande sobrinho designer!

Havia se passado só dez dias, desde que você explicou ao júnior sobre como deveria ser feito o site. Ele entendeu tudo rapidamente e já havia lhe entregue tudo pronto!

O site estava ótimo, funcionando, não ia dar trabalho e custou mil reais. Nunca mais você procurar esse tipo de gente criativa para fazer os serviços. Você tem um mago da internet bem do lado da sua casa e ele ainda está te cobrando só 50 reais por mês para administrar a sua página no facebook. Você já colocou 400 reais e está com cento e vinte mil curtidas, porque ele baixou uns programinhas ali para colocar gente dentro da página sem elas saberem. Genial, não?
Agora sim, você está tranquilo e preparado para começar o seu negócio digitalmente. Bem assessorado, não demorará muito para se tornar um grande nome no setor!

Autor: Ícaro de Carvalho
PUBLICIDADE
Rua Poços de Caldas, 230 - Jardim Alvorada
Maringá - Paraná
CEP: 87033-130